GELSENKIRCHEN, DOIS DIAS - Aproxima-se a todo o vapor a (inesperada) final da Liga dos Campeões 2003/2004, que opõe o romantismo dos «tomba-gigantes» Mónaco e FCPorto. O romantismo das equipas pequenas que derrotaram, pelo caminho, dois «colossos» (Real Madrid e Manchester United, respectivamente). Tal como Mourinho, pode dizer-se que uma final deste tipo limita as previsões ao corriqueiro
fifty-fifty mas, na realidade, é impossível contrariar o que todos sabemos: que os «azuis-e-brancos» têm muito mais equipa, como colectivo, que os monegascos. Desde logo, têm mais solidez e experiência em desafios de alta intensidade; têm, também, um estilo de jogo plenamente definido, onde todos sabem o que fazer, em qualquer situação de jogo; têm um número 10 que pode «arrumar» uma partida. Não que o Mónaco seja má equipa: Didier Deschamps construiu uma equipa interessante, do ponto-de-vista futebolístico, com uma aposta arrojada no jogo pelas alas, assente em Rothen, na capacidade de Giuly e na altíssima valia de Morientes (que duelo com Ricardo Carvalho!). Como resume Luís Freitas Lobo, nesta
análise, "no rigor táctico, tem o perfil das pragmáticas equipas italianas; na capacidade de jogar pelos flancos, em toques curtos, tem a versatilidade do velho futebol latino".